02/06/2017 13h17 - Atualizado em 02/06/2017 13h17

O que explica a diferença de produtividade na economia e na agropecuária

O aumento da produtividade depende das inovações tecnológicas, do progresso institucional, da qualidade do capital humano, do grau de abertura da economia, da quantidade e qualidade da infraestrutura e demais bens públicos (investimentos), da eficiência da política macroeconômica, entre outras variáveis.
Entre 1950 a 1980 a produtividade no Brasil cresceu a taxa média de 5% ao ano e após cresceu muito pouco ou a taxas negativas.

Muitas causas são apontadas, como a elevada dívida pública de 70% do PIB, a administração pública ineficiente, a elevada carga tributária de 33% do PIB, a baixa escolaridade, a carência de infraestrutura e logística, a burocracia paquidérmica e paralisante, o ambiente hostil de negócios e diversas outras.

O problema reside no fato de que estas causas afetam todos os setores da economia e ocorrem há muito tempo.
No entanto, a produtividade do setor agropecuário cresceu 5% ao ano a partir dos anos 2000, do setor industrial reduziu e da economia como um todo cresceu a taxas insignificantes.

Para explicar estas diferenças, uma das teorias levantadas se refere a existência de demanda assegurada para o setor agropecuário, em função da produção para os mercados interno e externo. O atendimento da demanda incentiva o investimento em máquinas, equipamentos, construções, treinamento e tecnologia, que aumentam a produtividade do trabalho e da terra e a oferta de mercadorias e serviços.

A demanda interna é limitada pelo tamanho e taxa de crescimento da população, pela renda e pela parcela da renda gasta na aquisição dos produtos, ressaltando que o PIB brasileiro representa apenas 3% do PIB mundial.

A demanda externa é muito maior, em função do tamanho da população e do PIB, e para aumentá-la são necessárias algumas políticas. A primeira é uma taxa de câmbio competitiva e estável, o inverso do que ocorreu no Brasil nestes últimos 36 anos, quando a taxa foi errática e apreciada (baixa), o que reduziu a produtividade dos produtos manufaturados. A agropecuária sofreu menos, porque usa intensivamente recursos naturais, que temos em abundância, e devido ao aumento dos preços internacionais das commodities a partir de 1994. A segunda é a abertura da economia, com um regime de importações mais aberto (menores tarifas e restrições não tarifárias), e negociação de acordos bilaterais, plurilaterais e inclusive muiltilateral (negociado no âmbito da OMC). A terceira é a existência de infraestrutura e de logística que facilite as trocas internacionais. A quarta, a não existência de carga tributária sobre as exportações e a simplificação da burocracia que retarda e eleva os custos das transações. A quinta, uma política econômica eficiente, com equilíbrio das contas públicas, taxas de juros mais baixas e taxa de câmbio mais elevada. E para se conseguir isto o problema não é econômico, é político e gerencial.

Em 01 de junho de 2017

Eugênio Stefanelo COLUNISTA Eugênio Stefanelo
SAIBA MAIS SOBRE O COLUNISTA
Apresentador do programa Negócios da Terra, professor da UFPR e doutor em economia agrícola.

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