27/06/2017 13h53 - Atualizado em 27/06/2017 13h53

O cabo de guerra entre o Brasil e os EUA

Os sindicatos que representam os pecuaristas dos Estados Unidos entraram em pé de guerra contra as importações da carne bovina brasileira in natura.

Os números, apesar de pequenos, explicam parte dos motivos. Entre 2010 e 2016 o volume exportado de carne bovina para o mercado americano representou entre 0,0% a 0,08% do total da carne bovina exportada pelo Brasil. Em valor, representou entre 0,0% a 0,1%. As maiores percentagens ocorreram em 2016, quando foram exportadas 846,65 toneladas, gerando receita cambial de U$ 3,35 milhões.

Nos cinco primeiros meses deste ano o volume exportado de carne bovina pelo Brasil reduziu 5,77%, comparativamente ao mesmo período de 2016, apesar dos preços médios serem mais baixos.

No entanto, neste mesmo período, o volume exportado para o mercado americano foi de 11.792,3 toneladas (2,77% do total exportado pelo Brasil) e a receita cambial atingiu U$ 49,0 milhões ou 4,13% do total.

Os números evidenciam que o mercado americano pouco representa na absorção internacional da carne brasileira, mas a abertura do mercado promoveu um salto no volume exportado de 1.298%, considerando o total exportado em 2016 e nos cinco primeiros meses deste ano.

Os produtores americanos sabem que a carne brasileira tem qualidade, é altamente competitiva em custo e tentam barrar a entrada de todas as formas possíveis. Não deixariam de aproveitar o problema criado com a operação carne fraca, que lançou dúvidas sobre a eficácia da inspeção sanitária da carne brasileira.

O problema criado com a presença de abscesso no local da vacinação contra a aftosa existe, é localizado e deve ser devidamente estudado, mas não causa nenhum efeito sobre a saúde humana. Milhares de vezes mais grave é a presença de casos da doença da vaca louca nos Estados Unidos, que não existe no Brasil.

Na verdade, eles usam todos os meios imagináveis para levantarem barreiras as importações em setores que possam competir com vantagem em relação a produção local.

Quem sabe seja o momento de nós também adotarmos critérios semelhantes na importação de produtos americanos, ao mesmo tempo em que se desenvolvem as negociações entre as autoridades governamentais dos dois países.

Eugenio Stefanelo  Publicado em 27 de junho de 2017

Eugênio Stefanelo COLUNISTA Eugênio Stefanelo
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Apresentador do programa Negócios da Terra, professor da UFPR e doutor em economia agrícola.

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