25/07/2017 15h00 - Atualizado em 26/07/2017 12h23

Em julho, três medidas contrárias ao desempenho do Agronegócio

A primeira medida ocorreu no Plano Agrícola e Pecuário 2017/18, quando foi limitado o acesso aos financiamentos pelas cooperativas agropecuárias em R$ 600 milhões em 2017, R$ 500 milhões em 2018 e R$ 400 milhões em 2019. E os bancos só podem oferecer as cooperativas até 25% dos seus limites de crédito. O que ultrapassar, os recursos devem ser tomados no mercado, a taxas de juros mais elevadas. Até agora não existiam estes limites e as cooperativas, como congregam milhares de produtores, faziam um trabalho de distribuição destes recursos aos seus associados, muitos dos quais sem ou com poucas condições de acesso individual aos serviços bancários.

A segunda foi a redução, no mesmo plano, dos preços mínimos de garantia para o algodão em pluma (-5,99%), arroz irrigado (-2,95% no Paraná e -2,97% no RS), feijão cores (-19,3%) e preto (-1,94%). Ao diminuir os valores dos preços mínimos o governo limita a proteção aos produtores em caso de excesso de safra e redução dos preços de mercado.

A terceira atingiu todos os produtores e toda a população brasileira, ao elevar o valor das contribuições do PIS/COFINS dos combustíveis, da gasolina em R$ 0,41, do diesel em R$ 0,21 e do álcool em R$ 0,19 o litro. O aumento do preço dos combustíveis eleva o custo de produção e de transporte dos produtos, que são repassados aos preços pagos pelos consumidores.

Soma-se ao quadro anterior a queda dos preços das commodities agropecuárias e a redução do valor bruto da produção neste ano de 2017, um indicador da receita dos produtores na comercialização das suas produções. O agronegócio tem se mostrado resistente, mas tantos golpes em sequência podem abalar o seu desempenho.

Em 25 de julho de 2017.

Eugênio Stefanelo COLUNISTA Eugênio Stefanelo
SAIBA MAIS SOBRE O COLUNISTA
Apresentador do programa Negócios da Terra, professor da UFPR e doutor em economia agrícola.

últimas: notícias vídeos

Facebook Twitter Youtube E-mail